
O Dia Mundial da Hipertensão é 17 de maio. Estima-se que mais de 30% da população adulta brasileira seja hipertensa, percentual que cresce com o envelhecimento. A hipertensão arterial sistêmica é hoje um dos maiores problemas de saúde pública do país, pela alta prevalência, pela grande quantidade de novos casos e pelas complicações cardiovasculares associadas.
O fisioterapeuta Jorge Spinelli, membro da Câmara Técnica em Fisioterapia Cardiorespiratória do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 12ª Região (Crefito-12), lembra que a hipertensão está diretamente ligada a fatores genéticos, comportamentais, sociais e ambientais. “O consumo excessivo de sal, o sedentarismo, o álcool, a obesidade, o estresse crônico, o tabagismo e a alimentação baseada em ultraprocessados são fatores que ampliam o risco, somados ao envelhecimento populacional”, destaca.
O Dr. Spinelli é especialista em Fisioterapia Intensiva para adultos e crianças, com pós-graduação em Fisioterapia Respiratória pela Santa Casa de São Paulo (SP). Ele mesmo foi obeso e teve de perder mais de 40 quilos, adotando novos hábitos para reduzir o risco de hipertensão e pré-diabetes. “Perdi 45 quilos e, com exercícios regulares, deixei de ser pré-diabético, reduzi o risco de desenvolver hipertensão e melhorei o cansaço do dia a dia. O impacto dos fatores modificáveis é enorme”, relata.
A baixa adesão ao tratamento contínuo, porém, segue sendo um desafio. Muitas pessoas sabem que são hipertensas, recebem prescrição de medicamentos e orientações sobre prevenção, mas não seguem as recomendações, o que favorece a progressão da doença. A hipertensão é silenciosa: os sintomas, quando aparecem, são pouco valorizados, e muitos só descobrem a condição após um infarto, um AVC, doença cardíaca ou renal.
Nesse cenário, o Dr. Spinelli destaca a diferença entre fatores de risco modificáveis e não modificáveis. Os não modificáveis são ligados à genética, como a predisposição cardiovascular. Já os modificáveis envolvem hábitos de vida: redução do álcool, melhoria da alimentação, controle do peso, combate ao sedentarismo e prática regular de atividade física. “Esses fatores podem ser trabalhados com o paciente hipertenso para melhorar a qualidade de vida. Mas tudo depende da disposição da pessoa em realmente mudar seus hábitos”, afirma.

Fisioterapia na hipertensão – O tratamento da hipertensão não é apenas medicamentoso nem responsabilidade de um único profissional. Envolve um manejo multiprofissional, com médico, fisioterapeuta, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo e/ou terapeuta ocupacional, especialmente para o acompanhamento emocional e comportamental.
“No âmbito da Fisioterapia, especialmente a Fisioterapia Cardiovascular, a atuação é essencial no controle e no tratamento da hipertensão arterial por meio da prescrição de exercícios terapêuticos”, explica o Dr. Spinelli. Esses exercícios são reconhecidos como uma das principais medidas não farmacológicas no manejo da hipertensão, sendo o recondicionamento físico a estratégia não medicamentosa mais eficaz.
Ganhos de massa muscular, aumento de força, melhora da potência física e do condicionamento cardiovascular contribuem para melhor controle da pressão e, em alguns casos, para redução da necessidade de medicamentos. O treinamento aeróbico regular – como caminhadas, bicicleta ergométrica e exercícios funcionais – auxilia na queda da pressão arterial, melhora a função cardiovascular, aumenta a capacidade funcional e reduz o risco de eventos cardiovasculares.
O fisioterapeuta também atua na educação em saúde, orientando sobre respiração, condicionamento físico, controle do estresse e reabilitação cardiovascular. Isso é especialmente importante para quem já sofreu complicações, como AVC ou infarto.
Casos silenciosos – Em pacientes hospitalizados, principalmente em unidades de terapia intensiva, a Fisioterapia contribui para prevenir complicações cardiorrespiratórias. A mobilização precoce ajuda a reduzir o tempo acamado, diminui o risco de infecções oportunistas e evita úlceras de pressão, situações ainda mais delicadas quando o paciente é hipertenso.
O vigilante José Roberto Pantoja Dias, 65 anos, chegou à emergência com pneumonia e a pressão acima de 17, em elevação. Foi internado no Hospital Dom Vicente Zico e só então descobriu que era hipertenso. “Eu não sabia que tinha esse problema. Eu só vim descobrir aqui”, conta.
Seu José Roberto fazia exercícios pelos corredores com a fisioterapeuta Karla Quintela enquanto a coordenadora do setor, Dra. Danielle de Alencar, e o Dr. Jorge Spinelli explicavam à reportagem do Crefito-12 como funciona o serviço. “Pacientes cardíacos e renais crônicos estão frequentemente associados à hipertensão porque são doenças multifatoriais. Pacientes com pneumonia, por exemplo, às vezes não sabem que têm hipertensão. No quadro infeccioso, surge uma alteração sistêmica. Mais de 70% dos pacientes tratados pelos nossos fisioterapeutas têm hipertensão. É uma prevalência muito alta porque é uma patologia silenciosa”, comenta Danielle, que coordena 10 fisioterapeutas no atendimento clínico do hospital.
Os exercícios e intervenções fisioterapêuticas auxiliam tanto na reabilitação quanto na prevenção de novas complicações e favorecem a recuperação funcional do paciente. Assim, o combate à hipertensão exige uma abordagem contínua e integrada, na qual o fisioterapeuta ocupa papel estratégico na promoção da saúde e na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares. “Trata-se de um profissional que pode contribuir diretamente para a melhoria da qualidade de vida da população”, conclui o Dr. Jorge Spinelli.

Reportagem e fotos: Elielton Alves / Crefito-12.
